Meses atrás, quando falei a uma amiga sobre a decisão de treinar como gente grande e me preparar para competir, a primeira coisa que ouvi foi:
"E você vai TOMAR ALGUMA COISA?"
Sorrindo, respondi que iria, sim, TOMAR CORAGEM!
Aos 50 anos, desfilar de biquíni e salto alto no meio das menininhas saradas exige coragem, concorda?
Minha amiga insistiu: "Eu quero é saber se você vai TOMAR ALGUMA COISA PARA CRESCER."
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Quero esclarecer aqui o seguinte: não tomo nem nunca tomei nenhum tipo de "aditivo", hormônio, anabolizante ou qualquer outra substância diferente de alimento que, direta ou indiretamente, influencie em ganho de massa magra e perda de gordura.
Tenho 52 anos e tomei pílula anticoncepcional apenas até os 25. A pílula me causava displasia mamária e se somava a um problema antigo de ovários policísticos. Resultado, abandonei a pílula e desde então uso métodos de barreira, com preservativo em 100% das vezes, sempre, sempre, sempre!
Não me dou bem com hormônios. Nas ocasiões em que o ginecologista receitou, detestei sentir dor de cabeça, retenção de líquidos, inchaço... Enfim, a ingestão de medicamentos à base de hormônios provoca em mim uma TPM básica, coisa que nunca tive na minha fogosa vida sem pílula anticoncepcional.
Reluto, mesmo, em sequer pensar em reposição hormonal. Menstruo normalmente e em ciclos regulares, não sinto calores nem outros sintomas típicos desta idade e etapa, vou levando os meus cinquentinha feliz e faceira hahaha.
Quando parar, parou. Sem drama.
No dia em que a senhora Menopausa chegar, tomaremos um chazinho e teremos uma conversa amistosa - um papo entre mulheres maduras, ou seja, em nossa melhor fase! -, estou certa de que a gente vai se entender numa boa.
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Claudia Vilaça - 16/outubro/2012 |
E eu respondo.
1) Primeiro que o notável ganho de peso (gordura + músculos + água) e o PROVÁVEL aumento de massa (não fiz avaliação física) não aconteceram de uma hora para a outra, mas sim em questão de meses, quando mudei meu jeito de treinar e iniciei a preparação para competir.
Ocorre que no primeiro mês os efeitos do treinamento intensivo, da dieta reforçada e das novas estratégias não eram visíveis; de repente, começaram a aparecer com força total devido ao meu baixíssimo percentual de gordura (nunca estive tão magra como na época da foto do "antes") e à necessidade do organismo de se adaptar aos estímulos.
Obviamente que a evolução foi gradual.
2) Desde 2008 eu vivo em DIETA. Passei cada dia desses seis anos sem açúcar de nenhum tipo (sacarose, frutose, lactose) nem carboidratos de alto índice glicêmico.
Zero açúcar, zero maltodextrina, zero dextrose, zero farinha branca, zero refrigerante, zero cerveja, zero vinho, zero champanhe, zero caipirinha, zero sucos, zero energéticos, zero mel, zero frutas frescas ou secas, zero laticínios.
Líquidos, apenas ÁGUA.
Mais de 2000 dias!!!
Sem lanches, sem salgadinhos, sem biscoitos, sem barrinhas de cereal, sem sucrilhos, sem granola, sem pizza, sem pastel de feira, sem parmegiana, sem milanesa, sem coxinha, sem croquete, sem esfiha, sem batatinha, sem macarronada, sem lazanha, sem pão de queijo, sem doces, sem salsicha e frios em geral, sem embutidos, sem defumados, sem chocolate, sem sorvete, sem ovo de Páscoa, sem bolo de aniversário, sem bem-casados, sem confeitos, sem panetone, sem macarons coloridinhos, sem leite, sem iogurte, sem queijos, sem frituras, sem molhos, sem catchup, sem chantilly, sem caldas, sem cremes.
No começo de 2012 descobri uma intolerância ao glúten.
Em algumas pessoas, o glúten age como uma cola, uma placa grudenta que adere à parede do intestino e causa uma série de problemas.
Então, a minha alimentação - que já era bem restrita - ficou sem trigo, sem aveia, sem centeio, sem cevada.
Você faz idéia de o quanto esses ingredientes são onipresentes nas prateleiras do supermercado e na rotina de qualquer ser humano moderno?
Ou seja, nada mais daquele pão integral alemão massudo e esquisitão que eu adorava, o Wickbold Fitness, de trigo e centeio. Não mais aveia em flocos grossos, etc, etc.
De carboidrato, fiquei restrita ao inhame cozido no vapor, já que a batata-doce não me cai bem. Não gosto de arroz.
Nesta época, também parei de tomar whey protein, caseína, albumina em pó e outros suplementos protéicos.
(Eu consumia muitos suplementos, várias doses por dia, diluídas em água. Agora, pensando a respeito, acho que a minha alimentação era 80% shakes de proteína e 20% comida de verdade.)
Zerei. Peguei um bode de tudo, queria me livrar da sensação de estar gerando um monstro nos intestinos!
Eu parei com os suplementos e observava os efeitos, via se melhorava, se mudava alguma coisa.
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Claudia Vilaça em Los Angeles/EUA - 12/abril/2012
Durante uma viagem, as primeiras semanas totalmente sem carboidratos.
Emagreci muito, mas me sentia cheia de energia e disposição! |
Em abril/2012, durante uma viagem aos EUA, sem ter como preparar meu inhame cozido no vapor (hotel, restaurante, avião), passei 3 semanas sem carboidratos. Comia atum em lata, grelhados - steaks, salmão e outros peixes, frango - e salada.
Ah, e tomava óleo de coco às colheradas, comprei baratinho em uma daquelas lojas americanas de suplementos para atletas.
Emagreci - perdi muita gordura -, mas me sentia incrivelmente bem!
Desde então, há quase TRÊS ANOS, portanto, vivo SEM CARBOIDRATOS.
A dieta é à base de PROTEÍNAS (carnes, peixes, frango, ovos) e GORDURAS (óleo de coco e azeite de oliva, gema de ovo, salmão e peixes gordos, carnes e aves). Tudo ORGÂNICO.
Além de FOLHAS, muitas folhas, folhas verdes e cruas de todos os tipos.
De SUPLEMENTOS, NADA! Nem mesmo whey protein. Também nada de vitaminas nem de minerais sintéticos.
Não uso shakes, vou para a academia levando uma sacolinha com meu vidro de ÓLEO DE COCO VIRGEM ORGÂNICO, que tomo ANTES e DEPOIS do treino.
3) Outro fator fundamental para a hipertrofia que consegui nos últimos meses é a mudança de estratégia no TREINAMENTO: os novos estímulos de altíssima intensidade.
Um esquema minucioso, visando ganho de força e de massa nas pernas e nos glúteos, que eram minhas deficiências até então.
Como dizia no começo deste post, não tomo nem jamais tomei substâncias aceleradoras de resultados.
O segredo? A receita do sucesso? A fórmula mágica?
Lamento, fico devendo a resposta. Não sei mesmo, mas estou procurando!
E enquanto procuro, vou estudando muito, descartando o que não funciona e incorporando o que dá certo.
Agora, sobre isso eu posso falar: o que deu certo para mim, minhas experiências, minhas dúvidas, minhas descobertas.
Se você se interessar, venha sempre aqui conversar comigo e trocar idéias.
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[Algumas informações e datas deste post foram ATUALIZADAS em 07/março/2015]